Perseverar é uma das características mais valorizadas em nossa sociedade. O importante é certamente nunca desistir e perseverar até o final, não importando o que aconteça.
Ou seja, se desde de criancinha você queria ser um jogador de futebol, não tem jeito, se não perseverar, você invariavelmente nunca chegará lá.
Olhando por essa perspectiva, qualquer um que perseverar será um dia presidente do Brasil, ou melhor, será um Ronaldinho, ou um Pelé talvez, mas convenhamos, você e eu sabemos que as coisas não funcionam dessa forma.
O que me parece mais importante nessa história não é exatamente saber que temos que perseverar para conseguirmos algo na vida, e sim determinar que hora parar de insistir num caminho e reconhecer que terá que dar meia volta e pegar o desvio que passou uns 10 quilômetros atrás. E essa decisão não é fácil de ser tomada e nem de ser percebida.
Meu caso particular com o esporte é um desses exemplos típico d perseverança que não chega em nenhum lugar. Desde de que me conheço por gente eu gosto de esporte, sempre gostei de qualquer bola, de movimentar meu corpo e de correr contra o vento. Tirando os claros benefícios para a minha saúde, quando analisado a questão competitiva de minhas participações, chega-se a conclusão que eu deveria estar ocupando meu tempo com outras atividades mais interessantes, do que ficar pagando um bom dinheiro em aulas de tênis e inscrições em torneios. Mas não há jeito, na minha cabeça fica aquele serzinho dizendo: não desista nunca, persevere! Melhore sua direita, vá mais a rede, não dê ponto de graça.. e blás e blás que não saem da minha cabeça.
Com isso, continuo na mesma, investindo meu rico dinheirinho, e tendo um retorno insatisfatório. Até onde insisto com esporte? Não era melhor eu simplesmente relaxar, andar com minha bike nos fim de semanas e correr na esteira da academia na semana, como qualquer outro porquinho da india faz?
Na verdade, tanto nos esportes como em nossas vidas, a ideia não é focar no destino, e sim na viagem. Por mais que persevere no esporte, nunca terei a direita do Federer ou a esquerda do Gasquet, mas o prazer de bater na bolinha e ver ela cair aonde queria colocar e um winner perfeito, faz com que toda frustração desapareça por alguns minutos, e você simplesmente pensa que vale a pena todo o esforço por aquele momento.
Apesar da vida parecer ser uma só, no fundo cada um de nós é toca uma vida em paralela nesse contexto. A perseverança lhe faz seguir correndo atrás da cenoura, justamente para te tirar do marasmo e te colocar na estrada. Aqueles que não perseveram, ficam estagnados, e os estagnados não veem, nem sentem, o mundo sensacional que está em sua volta.
Monday, March 29, 2010
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